Ayurveda

Ayurveda é um universo vasto de conhecimentos sobre a vida. Pode ser entendida como a ciência da vida. Seu estudo demonstra a importância de práticas e rotinas diárias de cuidado com o corpo mente e alma, entendendo que tudo está integrado e faz parte de um todo.

Aqui vou me dedicar ao que se refere a alimentação. 

Uma coisa importante que a Ayurveda tem a nos ensinar é que, nem tudo é bom pra todo mundo o tempo todo. Essa ciência nos ensina a importância de conhecer o nosso corpo e entender que cada um tem suas individualidades. Por isso muitas vezes um alimento faz bem para uma pessoal e pode não fazer bem para outra pessoa. Ou ainda um alimento que me faz bem em um determinado momento pode não me fazer tão bem em outro. Isso acontece porque a região que moramos, as estações do ano, a forma como o alimento foi produzido e processado e até mesmo o nosso estado emocional no momento em que estamos fazendo a nossa refeição, influenciam a forma como esse alimento vai se transformar em nutrição para o nosso corpo mente e alma. 

Um das melhores sugestões que entendi estudando essa ciência milenar é observar a rotina dos nossos ancestrais. Lembrando de muitas coisas que minha mãe e minha avó faziam, se assemelham bastante com o que ouvi dos diversos professores no Brasil e na Índia. Ter na alimentação a fonte de manutenção da saúde e prevenção de doenças, sempre me pareceu mais coerente do que comer qualquer coisa a qualquer momento e depois precisar de medicamentos para se curar de alguma doença manifestada no corpo. A maioria dos remédios que tive contato na infância vinham do quintal da casa da minha vó.

Segundo Ayurveda, a origem de todas as doenças vem de uma digestão incompleta ou mal feita. Essa digestão é tanto do alimento quanto das emoções. Por isso é sempre aconselhável termos um momento para dar atenção também ao nosso espírito, com praticas de Yoga e Meditação, ou a forma de conexão espiritual que faça mais sentido para cada um. Mas falando da digestão do alimento no corpo, temos várias formas de melhorar a nossa capacidade de digestão, os melhores horários para comer cada tipo de alimento, uso de especiarias e ervas que potencializam essa capacidade do corpo digerir o alimento, e também o uso do fogo para cozinhar os alimentos. 

Na visão do Ayurveda tudo que existe possui os 5 elemento: água, terra, fogo, ar e éter. A combinação desses elementos forma os Doshas, que no ajuda a entender a constituição do nosso corpo e também dos alimento. São três os Doshas: Vata, Pita e Kapha.

Vata possui como principal constituição os elementos ar e éter, o que traz leveza e movimento, secura e frio como algumas características desse dosha. No campo emocional a pessoa de Vata pode ter tendências a ansiedade pela mente agitada, mas em equilíbrio traz uma energia criativa e visão integrativa das coisas.

Pita tem água e fogo na sua constituição, o que traz calor, certa oleosidade, mas também pode apresentar características emocionais como certa agressividade, stress e excesso de competitividade, mas em equilíbrio traz muita eficiência, objetividade e determinação.

Kapha tem terra e água, o que traz estrutura, certo peso e densidade, também frio e oleosidade, tendência a letargia e depressão, mas também pode ser mais amável, acolhedor e organizado.

Os Doshas também estão presentes nas fases da vida, nas estações do ano e nos períodos do dia.

Conhecer um pouco mais sobre essa influências, pode nos ajudar a ter uma vida mais harmoniosa com o nosso corpo e também com a natureza.

Mas quem pensa que comida ayurvédica é sinônimo de comida indiana, vai um lembrete: a melhor comida para nós é aquela que cresce perto de onde eu vivo, priorizando o alimento da estação, cultivada de forma mais tradicional possível. Então o chamado aqui é para priorizar e valorizar os alimentos locais, descascar mais e desembalar menos e buscar sempre alimentos frescos que são cheios de prana.

 

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Na formação em Alimentação Ayurvédica no AVP  - Coimbatore, Índia. Setembro de 2018.

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